11 março, 2008

Indicações Musicoliterárias


James Oscar Smith é Jimmy Smith, mas isto não é nenhuma novidade para quem conhece jazz; a performace de Jimmy Smith é (reconhecidamente) gradiosa diante da levada "funky", entre outras virtuoses musicais, retiradas do seu órgão Hammond B-3, muito embora também não signifique uma assombrosa declaração; e, por fim, dizer que Smith criou um estilo singular de maneira que é impossível tocar o órgão Hammond sem seguir seus passos, certamente, não parará o planeta. Então o que fazemos aqui? A bem da verdade, algumas considerações a respeito desse músico imortal.

O piano acústico era pouco para Jimmy - faltava algo, faltava sabor, enfim, faltava instrumento. Foi então que ficou fascinado pelo Hammond, inspirado por um dos seus ídolos: Wild Bill Davis. Para conhecer e entender o tal instrumento pediu para uma loja que o deixasse estudar o Hammond pagando um dólar a hora, até comprar seu próprio instrumento. A loja aceitou, e Smith aprendeu a tocar o Hammond inteiro em três meses e a fazer sucesso no no Spider Kelly’s, sendo, portanto, descoberto pela Blue Note Records. Em 1962, após alcançar fama pela Blue Note e expirar seu contrato, a Verve Records lhe ofereceu melhores oportunidades. A época em que esteve na Verve ficou marcada por gravações com big bands sob arranjo do maestro Oliver Nelson e a colaboração com o guitarrista que também mudou a história do jazz: Wes Montgomery. E é justo aqui que queríamos chegar, ou seja, no dico "Jimmy & Wes: The Dynamic Duo".

De acordo com o jornalista Luiz Guilherme Moffa, "o álbum é uma aula de jazz funk com pitadas de blues. Suas 5 faixas são suficientes para mostrar o entrosamento desta dupla dinâmica do jazz, cujas trajetórias foram fundamentais para o desenvolvimento do estilo nos anos 60 e 70". Quando os dois entraram no estúdio em setembro de 1966, para a gravação deste disco, pareciam que já tocavam durante toda a vida e, com isso, canções, à mistura de duas feras, sairam primorosas: Down By the Riverside, Night Train e O.G.D.

Tem muita gente no disco, o que torna difícil citar uns e não todos - seria uma deselegância. A produção é de Creed Taylor.

Esteja dito.
Mendes Júnior

Um comentário:

mario cezar disse...

sim. o medo é habitante impecável