28 abril, 2007

Uma alma sem direção


Algumas palavras foram criadas para decifrar a cantoria da tristeza, outras para os instantes-rompantes de esperança, algumas para rasgar em pedaços bem pequenos as manhãs e as noites silenciosas, e ainda palavra "como uma fenda de luz na escuridão". Mas, independente de consoantes e vogais, todas nasceram da voz que insiste em falar de dentro da alma. Pois bem, é esta voz que Germana Matos nos faz escutar com sua doce-triste poesia, assim como em "Lugar".


LUGAR

Ventos e pensamentos perdidos na praia deserta
Areia fria no fim do dia
Olhos procuram o que não podem encontrar
Sonhos sem dimensão
Misturam-se às ondas que quebram no mesmo som
De um ser vazio
O sentimento que explora a alma sem direção
Traz o lamento de um tempo que parte a cada hora
Em largos passos de ilusão
Um pássaro vaga na calmaria
Aroma de paz que desliga as luzes e a agonia
Parece que há tão pouco tempo me vestia de coragem
Para enfrentar o que queria
Mas só eu consigo ouvir o grito
Desbravando o infinito de uma vida
Agora a brisa seca as lágrimas
E apagam os traços de luta
Cansada de uma busca que não finda
A paz inebriante deste lugar
Onde quero ficar sozinha
Inconstante
Como sempre estive
Durante toda minha caminhada

Germana Matos

3 comentários:

Anônimo disse...

Adorei... Essa poesia é um pouco melancólica, mas não deixa de ser linda. Parabéns!
Ah, a foto também está perfeita:)

Suellen Luna disse...

Olha muito boa sua poesia. Adorei. Você poderia colocar mais vezes suas poesias.

Glenda Miranda disse...

Acho que a poesia é a forma mais nua da escrita. Mesmo aquelas com mais métrica, e mais metódicas, mais organizadas. Vêm sempre do fundo do profundo fundo (é fundo mesmo! =D) e saem rasgando. É quase um grito, mesmo aquelas mais doces e meigas.
Amei.
Beijo.