10 maio, 2007

Indicações Musicoliterárias





Na minha opinião (que não é lá essas coisas), no mercado editorial tupiniquim, a editora Companhia das Letras é quem melhor trata o livro na escolha do autor publicado, enquanto que a Cosac Naify é quem elabora o objeto-livro com o maior cuidado, privilegiando a beleza e a qualidade da encadernação. Fazendo uma analogia (talvez grosseira – perdão), a gravadora Biscoito Fino é uma junção das duas editores, porém para a palavra cantada. Dá gosto colocar as mãos nos folhetos dos álbuns e os ouvidos a serviço do som oferecido pela gravadora de Francis Hime. Pois bem, indico três excelentes discos da Biscoito Fino: “Casa Forte – Mauro Senise toca Edu Lobo”; “Noites de gala, samba de rua”, da adorável Mônica Salmaso; e “Yamandu + Dominguinhos”.

O disco do saxofonista e flautista Mauro Senise recebeu o conceito de obra-prima pela Revista Jazz+, e aconselho não duvidar, começando pelo encarte. Os arranjos do disco são de Gilson Peranzzetta e, claro, também tem a participação do homenageado Edu Lobo. Atenção redobrada para “Arpoador”, “Valsa Carioca” – as duas inéditas –, “Choro Bandido” e uma primorosa versão para “Beatriz”, que, segundo o (in)suportável Marcelo Mirisola, vez em quando é criminalmente atingida pelos trejeitos vocais de Ed Motta.

A voz da Mônica Salamaso é um elixir para esses tempos difíceis de poluição sonora. “Noites de gala, samba de rua” não entendo como o título ideal para seu último trabalho, mas quem sou eu?, senão um leigo-mais-do-que-perfeito. O disco envereda por composições de Chico Buarque, com participação especial do grupo Pau Brasil. Aqui, também vamos encontrar “Beatriz”, mas com outra temática – uma pintura formosa tal e qual –, bem como “Suburbano Coração”, “O Velho Francisco”, “Partido Alto”, entre outras pérolas. Para os que apreciam fotografias, o folheto tem algumas bem deliciosas, principalmente uma que está ao lado da letra de “Partido Alto”.

Por fim, quanto ao doce encontro de Yamandu Costa com a sanfona de Dominguinhos, pode-se dizer que é mágico. Cada um na sua área, os dois são imbatíveis. Foram muitos generosos conosco ao gravarem “João e Maria” (saudades, Mestre Sivuca!), “Estrada do Sol” (saudades, Maestro Tom!) e “Asa Branca” (saudades, Compadre Luiz Gonzaga!). Não é só, tem também composição de Yamandu + Dominguinhos, composição de Yamandu e composição do Dominguinhos. Excelente na perspectiva da saudade.

Esteja dito.
Mendes Júnior.

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